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Dias com birras à flor da pele

Ontem foi um fim de dia difícil… o cansaço acumulado do fim de ano lectivo (o meu e o dela), a excitação da festa hoje, o entusiasmo do aniversário daqui a três dias que vem em crescendo há quase dois meses, e os TPC que eram complicados… de repente estávamos as duas às turras e sem ser capaz de comunicar. Perdi a paciência, afastei-me, respirei fundo, disse que para ajudá-la nos trabalhos precisávamos de estar calmas. Não estava a resultar.

Decidimos em conjunto que não faria os trabalhos todos porque eram muitos e estávamos as duas muito cansadas e sem paciência. Foi a vez dela se afastar. Depois voltou com um desenho de corações para me oferecer. E eu pensei: “eu que sou a adulta estou aqui a castigar-me com a incapacidade para gerir a situação e ela, com os seus 8 anos, sabe que um desenho de corações e um abraço sentido fazem a magia de que as duas precisamos”.

Há dias assim. E, às vezes, lá, no momento, somos sugados por um vortex e deixamos de saber decidir racionalmente qual á a melhor alternativa. Daí que seja tão importante aproveitar o dia seguinte para relembrar que eu conheço a minha filha: eu vi os sinais do cansaço, nela e em mim, e sabia que aquilo tinha tudo para correr mal. Prometi a mim mesma que da próxima vez vou fazer ainda melhor para decidir parar antes de chegar ao nosso limite. Por mim e por ela. E porque a vida não são os TPC. A vida são desenhos de corações e abraços apertados…